Quem somos nós?

April 16, 2006

Se existe esse espaço, ele é feito para coisas extraordinárias, nunca ordinárias; assim todos os possíveis assuntos são cuidadosamente escolhidos e, há pouco, um filme supreendente chegou às campinas do interior do planalto de quem.jpgPiratininga, é ele o Quem somos nós?, uma tradução reducionista de What the bleeb do we know? , melhor dizendo, Que #&%* sabemos nós?
Esse brilhante filme de William Arntz, Betsy Chasse e Mark Vicente (documentário/narrativa) vasculha o funcionamento da realidade/imaginação, fazendo um percurso pelos conceitos da moderna Física quântica, do princípio da incerteza, à fabricação da realidade que o corpo pode fazer, dos neurotransmissores ao hipotálomo, glândula mestra do corpo dos humanos.
Existem de fato as coisas? O que não é possível ver também pode existir? Partículas ou ondas? São essas algumas dúvidas que esses gênios nos colocam ao olhar investigativo da personagem Amanda, ou seriam Amandas?
Simplesmente imperdível, é uma das raras oportunidades que são dadas aos humanos para que reflitam sobre sua insignificância, quem perder essa chance pode talvez viver o resto de sua vida no limpo da ignorância. Mas é para poucos, portanto corra porque é um filme perigosíssimo, faz pensar e logo sairá de circulação, é possível até que suas cópias se auto-destruam em frações de segundos para não gerar pânico no planeta.

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o mundo que vejo e o mundo que os outros vêem

April 3, 2006

Estava por acaso fazendo algumas escavacoes no planeta quando encontro algo precioso. É Gerald Thomas que em seu blog www.geraldthomas.blog.uol.com.br  conta um pouco do mito da caverna em sua vida; será que uns nao querem ver a realidade? A rádio experimetal compartilha esse mesmo sentimento com Gerald. Divirta-se e depois dê uma passada em sua página, pensar é sempre bom, ajuda-nos e a lembrar que estamos vivos.

qualidade de vida

São Paulo – Perspectiva histórica é sempre um fracasso, uma coisa subjetiva de fazer arrepiar os cabelos ou de levar o ser humano ate o suicídio (em casos como os de Walter Benjamin ou Stephan Zweig). A gente parte do pressuposto de que estamos certos e de que o resto está errado. E queremos corrigir esse resto. Mas não dá, né? E aí? Como se faz? Luta armada, demonstração pública, passeatas, brigas de família, alcoolismo, drogas pesadas, desequilíbrio emocional, esquizofrenia, afastamento de tudo e de todos…

Acho que tem alguns grandes gênios da Historia que começaram a enxergar a verdade pura e simples, assim como Hegel a havia pesado em sua dialética, e simplesmente relevaram essa perspectiva histórica para um outro plano: temo que esses gênios tornaram-se cínicos.Outros combateram ate o fim, inseriram a sua “parte”, por assim dizer, mudaram páginas dos livros da história, rasgaram aquilo que achavam errado e substituíram tudo por uma “lavagem monumental”, como Sartre ou alguns outros.

Mas por que escrevo isso? É que vejo o mundo em colapso. Mas quando converso com pessoas em volta, elas não o vêem assim. Fico pasmo. Pergunto qual mundo elas vêem. Algumas me respondem que têm jardins enormes e que eu deveria me preocupar mais com a minha qualidade de vida, pensar menos no que Bush está aprontando pelo mundo, já que a política sempre foi política (eu nasci num berço político e, através dos meus pais, sempre acompanhei os movimentos do mundo, já que sempre fomos “refugiados nômades” de uma certa forma). Outros me falam que eu deveria me preocupar com o futuro e fazer aplicações em bens materiais, investir em um apartamento aqui em São Paulo (onde me encontro agora, ensaiando quatro novos espetáculos – freneticamente e num tremendo stress). Todos tem uma opinião. Eu ouço.

Mas poucos têm noção do mundo redondo. Poucos aqui nesta capital, que a Travel Section do New York Times chamou de “the New Sao Paulo”, sabem a origem real dos sunitas, ou como era dividido o império austro-húngaro ou que a Alemanha sequer era um único país antes de Bismark. Na verdade, talvez eles tenham razão. Para comprar uma pizza na esquina, não precisa saber quem era Bismark. Mas a vida fica tão mais recheada, tão mais gostosa, tão mais saborosa quando se tem a tal perspectiva histórica, quando se sabe que a vida não começou ontem, que aquela música oriunda de outra música, e que aquela roupa é influenciada por uma fashion vinda dos anos 50 de uma senhora chamada Diane Vreeland. Quem era ela? O que era a Vanity Fair naquela epoca?

Pois é! Trotsky morreu no México com uma machadada na cabeça. Picasso, depois de inúmeras tentativas, conseguiu resumir a Guerra Civil Espanhola numa única tela, Guernica. Mas quem não sabe nada disso, ainda, mesmo assim, olhará aquela vaca com aquela lâmpada e dirá: que horror, ou que lindo, ou simplesmente passará por perto sem dizer nada. “Picasso? O que é isso? A mais nova linha da Renault?”

Gerald Thomas